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Explicação detalhada do biorreator de membrana (MBR) – Controle de parâmetros

Os parâmetros de controle do processo MBR são divididos em quatro categorias: parâmetros do sistema de lodo, parâmetros de operação da membrana, parâmetros do ambiente bioquímico e parâmetros de retorno e descarga de lodo. Cada parâmetro afeta diretamente o desempenho da operação do processo e a qualidade do efluente. Os ajustes dos parâmetros devem seguir o princípio da "estabilidade e mudança gradual"; ajustes drásticos são estritamente proibidos. Os parâmetros específicos são os seguintes:

I. Parâmetros do Sistema de Lodo

1. MLSS (Sólidos Suspensos em Licor Misto)

Parâmetro Escala de controle Significado Princípios e precauções de ajuste
MLSS 8,000 – 12,000 mg/L;
Para desnitrificação/baixa temperatura: 10,000 – 12,000 mg/L;
Para águas residuais industriais: pode ser ajustado para 12,000 – 15,000 mg/L
Representa a massa microbiana total no biorreator; um indicador fundamental da eficiência da reação bioquímica. A alta capacidade de MLSS (sólidos suspensos totais) do MBR (biorreator de membrana) é uma vantagem crucial, aumentando a eficiência da degradação e a resistência a cargas de choque. Precauções:
1. Pressão muito alta: acelera a incrustação da membrana, aumenta rapidamente a TMP (pressão transmembrana) e o consumo de energia.
2. Muito baixo: capacidade de degradação insuficiente, níveis de DQO e nitrogênio amoniacal no efluente acima do limite permitido.
3. Ajuste: controlado pela descarga de lodo residual. Se a concentração de sólidos suspensos totais (SST) estiver muito alta, aumente a descarga de lodo; se estiver muito baixa, reduza a descarga de lodo e aumente a taxa de retorno do lodo.

2. SRT (Tempo de Retenção de Lodo)

Parâmetro Escala de controle Significado Princípios e precauções de ajuste
SRT 15 a 30 dias;
Para alta demanda de desnitrificação: 20 a 30 dias;
Para temperaturas baixas (<15°C): 25 a 30 dias
Determina a estrutura da comunidade microbiana. As bactérias nitrificantes têm um longo ciclo de geração (10-20 dias) e requerem um longo tempo de retenção de sólidos (TRS) para serem mantidas, garantindo a remoção do nitrogênio amoniacal. Também afeta a atividade do lodo e o biofouling da membrana. 1. Tempo de retenção muito curto: perda de bactérias nitrificantes, excesso de nitrogênio amoniacal; o lodo é altamente ativo, mas a concentração é difícil de manter.
2. Tempo excessivo: envelhecimento do lodo, redução da atividade, incrustação acelerada da membrana, aumento da DQO (Demanda Química de Oxigênio) do efluente.
3. Ajuste: controlado pelo volume de lodo residual descarregado. SRT = Massa total de lodo no biorreator ÷ Volume diário de lodo residual descarregado.
SV30 (Volume de lodo após 30 minutos de decantação) 80% – 95% (significativamente superior aos processos convencionais devido ao alto teor de sólidos suspensos totais). Um indicador rápido para avaliar o desempenho e a concentração da sedimentação do lodo, auxiliando no ajuste do MLSS (sólidos suspensos totais) e do volume de descarga do lodo. 1. >95%: indica concentração excessivamente alta de lodo ou baixa sedimentabilidade do lodo; aumentar a descarga de lodo.
2. <80%: indica concentração insuficiente de lodo; reduza a descarga de lodo e aumente a taxa de retorno.
3. Observação: O SV30 em MBR não deve ser avaliado pelos padrões de processo convencionais; 80% a 95% é geralmente considerado normal.
SVI (Índice de Volume de Lodo) 80 – 150 mL/g (compatível com processos convencionais) Caracteriza com precisão a sedimentabilidade e a compactação do lodo; ajuda a determinar o inchamento do lodo, que afeta indiretamente a taxa de incrustação da membrana. 1. >150 mL/g: formação de lodo volumoso, flocos soltos, propensos a obstruir os poros da membrana; aumenta o OD (oxigênio dissolvido), controla a relação F/M (flocos/milho), aumenta a descarga de lodo.
2. <80 mL/g: mineralização ou envelhecimento do lodo, baixa atividade; reduzir a descarga de lodo, suplementar nutrientes.
3. Monitore regularmente, pelo menos uma vez por semana.
Relação F/M (Alimento para Microorganismo) 0.05 – 0.2 kg DBO₅/(kg MLVSS·d)
(Inferior aos processos convencionais)
Reflete a relação entre "oferta de alimento e demanda" de microrganismos. Uma baixa relação F/M favorece a nitrificação e a estabilização do lodo, além de reduzir a incrustação da membrana. 1. Nível muito alto: os microrganismos metabolizam vigorosamente, os flocos de lodo se soltam, acelerando a incrustação da membrana.
2. Muito baixo: envelhecimento do lodo, atividade reduzida, eficiência de degradação diminuída.
3. Ajuste: ajustado através da vazão de entrada e da concentração de sólidos suspensos totais (SST). Se a relação F/M estiver muito alta, aumente a concentração de SST ou reduza a vazão de entrada.

II. Parâmetros de Operação da Membrana

Parâmetro Escala de controle Significado Princípios e precauções de ajuste
Fluxo de membrana 15 – 25 L/(m²·h);
MBR submerso: 15 – 20 L/(m²·h);
MBR externo (lateral): 20 – 25 L/(m²·h)
A taxa de fluxo de permeado por unidade de área da membrana por unidade de tempo; um indicador fundamental da eficiência operacional da membrana, que determina diretamente a capacidade de tratamento. 1. Pressão muito alta: acelera drasticamente a incrustação da membrana, provoca um rápido aumento da TMP (pressão transmembrana) e apresenta risco de danos à membrana.
2. Muito baixo: baixa eficiência de tratamento, desperdício de energia.
3. Ajuste: ajustado controlando a frequência da bomba de sucção e o ciclo liga/desliga com base nas mudanças de TMP. Evite aumentos repentinos de fluxo.
Pressão Transmembrana (TMP) Normal: <15 kPa;
Aviso: 25 – 30 kPa;
Limpeza química necessária: >35 – 40 kPa;
Raspagem da membrana (fim de vida útil): >50 kPa
Caracteriza o grau de incrustação da membrana. Uma TMP mais alta indica incrustação mais severa e maior resistência à permeação de água. 1. A pressão transmembrana (TMP) sobe para 15-25 kPa: intensificar a limpeza online (aumentar a frequência, prolongar a duração).
2. Se a pressão transmembrana (TMP) atingir 25-35 kPa: realize imediatamente a limpeza química online e interrompa a permeação.
3. TMP > 35 kPa: realizar limpeza química offline.
4. Monitore diariamente, registre a cada hora.
Modo de sucção Sucção intermitente: 7-9 minutos ligada, 1-3 minutos desligada;
Baixa temperatura/incrustação inicial: 6-8 min ligado, 2-3 min desligado
Previne o acúmulo de lodo na superfície da membrana causado pela sucção contínua, reduz a incrustação da membrana e prolonga sua vida útil. 1. Evite rigorosamente a sucção contínua (sem ciclo de desligamento); isso agrava rapidamente a incrustação, causando um pico de TMP de curto prazo.
2. O ciclo de desligamento pode ser ajustado com base na TMP; prolongue o tempo de desligamento se a TMP subir rapidamente.
3. O horário de funcionamento deve ser consistente, evitando ciclos irregulares.
Aeração por limpeza de membrana 24 horas contínuas;
Taxa de fluxo de ar de limpeza: MBR submerso: 10 – 15 m³/(m²·h);
MBR externo: sem aeração por lavagem (filtração impulsionada por pressão)
Gera bolhas que agitam as fibras da membrana, removendo o lodo da superfície, prevenindo a aderência do lodo e mitigando a incrustação. Também fornece uma pequena quantidade de oxigênio para manter a atividade do lodo no tanque da membrana. 1. A aeração por lavagem não deve ser interrompida (interrupções superiores a 30 minutos podem levar à rápida adesão e compactação do lodo na superfície da membrana, causando bloqueio).
2. Garanta uma aeração uniforme para evitar erosão insuficiente localizada.
3. Limpe regularmente os tubos de aeração e os difusores para evitar entupimentos e garantir um fluxo de ar estável.
Parâmetros de limpeza da membrana 1. Limpeza online: Concentração de hipoclorito de sódio de 500 a 1000 mg/L, concentração de ácido cítrico de 1% a 2%; Duração da limpeza: 30 a 60 minutos cada; Frequência: 1 a 2 vezes por dia.
2. Limpeza offline: Concentração de hipoclorito de sódio de 2000 a 5000 mg/L, concentração de ácido cítrico de 2% a 3%; Tempo de imersão: 12 a 24 horas.
Remove contaminantes orgânicos e inorgânicos da superfície e dos poros da membrana, restaurando o fluxo da membrana e prolongando sua vida útil. 1. Uso alternado de hipoclorito de sódio (para incrustações orgânicas e biológicas) e ácido cítrico (para incrustações inorgânicas) durante a limpeza online.
2. As concentrações dos produtos químicos de limpeza não devem ser muito elevadas para evitar danos aos módulos de membrana.
3. A limpeza offline só deve ser realizada quando a limpeza online não conseguir restaurar o fluxo. Enxágue bem após a limpeza offline para evitar resíduos químicos.

III. Parâmetros do Ambiente Bioquímico

Parâmetro Escala de controle Significado Princípios e precauções de ajuste
Oxigênio Dissolvido (DO) Zona aeróbica: 2.0 – 3.5 mg/L;
Para alta demanda de nitrificação/baixa temperatura: 3.0 – 4.0 mg/L;
Zona anóxica: <0.5 mg/L;
Zona anaeróbica: <0.2 mg/L
Um fator essencial que influencia a atividade microbiana. A insuficiência de oxigênio dissolvido (OD) na zona aeróbica inibe a nitrificação e a absorção aeróbica de fósforo. O excesso de OD nas zonas anóxicas/anaeróbicas inibe a desnitrificação e a liberação de fósforo. 1. Ajuste do OD (oxigênio dissolvido) na zona aeróbica: controle através do fluxo de ar do soprador de aeração. Aumente o fluxo de ar se o OD estiver muito baixo; diminua se estiver muito alto.
2. Zonas anóxicas/anaeróbicas: evite estritamente a aeração; mantenha uma intensidade de mistura moderada para evitar a entrada de ar que causa o aumento do OD (oxigênio dissolvido).
3. Monitore diariamente e registre a cada 2 horas.
pH Avaliação geral: 6.5 – 8.0;
Ideal para nitrificação: 7.5 – 8.5;
Ideal para desnitrificação: 6.5 – 7.5;
Zona anaeróbica: 6.5 – 8.0
Afeta a atividade enzimática microbiana. O desequilíbrio do pH inibe diretamente o metabolismo microbiano, levando à diminuição da eficiência bioquímica. 1. pH <6.5: ajustar adicionando cal ou bicarbonato de sódio (preferir bicarbonato de sódio por seu efeito suave e não agressivo).
2. pH > 8.5: ajustar adicionando ácido sulfúrico.
3. Evite flutuações drásticas de pH (variação ≤0.5 por hora), pois elas podem inibir a atividade microbiana.
Alcalinidade ≥100 mg/L (como CaCO₃);
Para alta demanda de nitrificação: ≥150 mg/L
A nitrificação consome uma quantidade significativa de alcalinidade (7.14 mg de alcalinidade de CaCO₃ por 1 mg de nitrogênio amoniacal nitrificado). A alcalinidade insuficiente causa a queda do pH, inibindo a nitrificação. 1. Alcalinidade insuficiente: suplementar com bicarbonato de sódio. Evitar adicionar cal (pode produzir incrustações, obstruindo os módulos de membrana).
2. Monitore regularmente, diariamente. Aumente a frequência de monitoramento durante períodos de nitrificação ativa.
Temperatura da água Temperatura ideal: 15 – 35°C;
10 – 15°C: a eficiência do tratamento diminui;
<10°C: a eficiência cai drasticamente, a nitrificação praticamente cessa.
Afeta a atividade microbiana. Temperaturas mais baixas diminuem a velocidade do metabolismo microbiano, reduzindo a eficiência bioquímica. 1. Baixa temperatura (<15°C): aumentar o MLSS para 10,000–12,000 mg/L, estender o SRT para 25-30 dias, aumentar o OD na zona aeróbica para 3.0-4.0 mg/L, considerar a suplementação da fonte de carbono.
2. Alta temperatura (>35°C): aumentar a aeração, reduzir o MLSS para evitar o envelhecimento do lodo.
3. Providencie isolamento térmico para o tanque (no inverno), evitando grandes flutuações de temperatura.
Relação C/N (Carbono para Nitrogênio) ≥4 (para desnitrificação);
Para alta demanda de desnitrificação: ≥5
As bactérias desnitrificantes necessitam de uma fonte de carbono suficiente (matéria orgânica) para completar a desnitrificação. A insuficiência de carbono leva ao excesso de nitrogênio total. 1. C/N <4: adicionar uma fonte externa de carbono (acetato de sódio, glicose) a montante da zona anóxica. Preferir acetato de sódio (alta taxa de utilização, sem poluição secundária).
2. Evite a adição excessiva de carbono, pois isso pode aumentar a DQO na zona aeróbica e acelerar a incrustação da membrana.

IV. Parâmetros de Retorno e Descarga de Lodo

Parâmetro Escala de controle Significado Princípios e precauções de ajuste
Taxa de retorno de lodo (retorno externo) 100% - 200%;
Para desnitrificação/baixa temperatura: 150% – 200%;
Para águas residuais industriais: pode ser ajustado para 200% – 300%.
Retorna o lodo retido pelo tanque de membrana para o biorreator, mantendo a concentração de sólidos suspensos totais (MLSS) estável no biorreator e complementando a massa microbiana total. 1. Muito baixo: MLSS insuficiente no biorreator, resultando em menor eficiência de degradação.
2. Nível muito alto: aumenta o consumo de energia e pode transportar nitratos do tanque de membrana para a zona anaeróbica, inibindo a liberação de fósforo.
3. Ajuste: controlado pela vazão da bomba de retorno. Ajuste gradualmente com base nas mudanças de MLSS, evitando grandes ajustes repentinos.
Índice de retorno interno (reciclagem de nitrato) 200% - 400%;
Para alta demanda de desnitrificação: 400% – 500%
Retorna o líquido nitrificado (contendo nitrato) da zona aeróbica para a zona anóxica, fornecendo nitrato para as bactérias desnitrificantes e garantindo a remoção do nitrogênio. 1. Muito baixo: fornecimento insuficiente de nitrato, desnitrificação incompleta, excesso de nitrogênio total.
2. Muito alto: aumenta o consumo de energia e pode transportar oxigênio da zona aeróbica para a zona anóxica, inibindo a desnitrificação.
3. Ajuste: ajuste com base na concentração de nitrogênio total no efluente. Aumente a taxa de retorno interno se o nitrogênio total exceder o limite.
Descarga de Lodo Residual Descarga contínua de baixo fluxo;
Volume de descarga: controlado pelo SRT. Volume de descarga diário = Massa total de lodo no biorreator ÷ SRT.
Remove lodo envelhecido e impurezas inorgânicas do sistema, mantendo níveis estáveis ​​de MLSS e SRT. Também remove organismos acumuladores de fósforo do sistema para alcançar a remoção completa desse nutriente. 1. Evite rigorosamente longos períodos sem descarga de lodo: isso leva ao envelhecimento do lodo, à incrustação acelerada da membrana e à possível ultrapassagem dos limites de fósforo total/nitrogênio total.
2. Evite rigorosamente grandes descargas intermitentes de lodo: causam flutuações drásticas na concentração de sólidos suspensos totais (MLSS), afetando a eficiência bioquímica e o funcionamento da membrana.
3. Ponto de descarga: fundo do tanque de membrana (onde o lodo com alto teor de fósforo é retido). Após a descarga, monitore a concentração de sólidos suspensos totais (SST) e ajuste o volume de descarga conforme necessário.

V. Resumo Essencial do Controle de Parâmetros

  1. Controle de Lodo: Manter um alto nível de MLSS (8,000–12,000 mg/L), um longo SRT (15–30 dias), SVI30 e SVI estáveis, e evitar o inchamento ou envelhecimento do lodo.

  2. Controle do sistema de membrana: Utilize sucção intermitente (por exemplo, 7 minutos ligada, 1 a 3 minutos desligada), aeração de limpeza 24 horas por dia, monitore rigorosamente a TMP (meta <15 kPa), realize limpeza regular e evite o entupimento da membrana.

  3. Controle do ambiente bioquímico: Manter o OD aeróbico entre 2.0 e 3.5 mg/L, controlar rigorosamente o OD em zonas anóxicas/anaeróbicas, pH entre 6.5 e 8.0, alcalinidade ≥100 mg/L e C/N ≥4.

  4. Controle de retorno e descarga de lodo: Manter a taxa de retorno externo entre 100% e 200%, a taxa de retorno interno entre 200% e 400% e descarregar o lodo residual continuamente a uma vazão baixa para manter o equilíbrio do sistema.